A pane global e a nossa dependência

4 de outubro de 2021 0 Por curacionemocional

Hoje, por volta das 12h50, o WhatsApp, o Instagram e o Facebook saíram do ar. Agora são 17h (horário de Brasília) e a situação ainda não foi resolvida. Eu que trabalho como psicóloga atendendo online estou sem meu principal canal de comunicação, que é o WhatsApp. É desesperador ficar sem a minha principal ferramenta de trabalho, principalmente na segunda-feira, o meu dia mais movimentado.

O desespero não é exclusividade minha. Comerciantes, professores, frellancers – as reclamações vêm de toda parte. Incrível como somos dependente das redes de Mark Zuckerberg e o quanto perdemos completamente o hábito de fazer ligações e enviar SMS. Vi inúmeras pessoas comentando no Twitter que vão esperar o WhatsApp voltar para retomar suas comunicações. Elas preferem esperar do que fazer ligações, como se isso fosse a coisa mais esquisita ou trabalhosa do mundo.

Vê aí o tamanho do problema? Muita gente com preguiça de FALAR com o outro, porque é muito mais cômodo digitar algumas palavras e apertar a tecla Enter. E assim vamos tornando a nossa comunicação impessoal, fria e limitada a emojis, siglas e abreviações. Tempos modernos, mas uma hora seremos cobrados por isso. Aliás, veremos o impacto disso nas nossas relações, cada vez mais superficiais. É o que Zygmunt Bauman chama de Modernidade Líquida, leitura que indico a todos, inclusive.

De acordo com a sinopse da obra, a modernidade líquida é “leve, líquida, fluida e infinitamente mais dinâmica que a modernidade sólida que suplantou. A passagem de uma a outra acarretou profundas mudanças em todos os aspectos da vida humana. No livro, Bauman esclarece como se deu essa transição e nos auxilia a repensar os conceitos e esquemas cognitivos usados para descrever a experiência individual humana e sua história conjunta”.

A tecnologia é a vilã?

Ao meu ver a tecnologia é a nossa aliada em tempos modernos, o problema é a nossa dependência dela e como nos sentimos quando as máquinas nos deixam na mão. Ficamos ansiosos, angustiados, com a sensação de que estamos perdendo algo muito importante. Os negócios das nossas vidas. As conversas mais decisivas. Os posts mais incríveis. E na verdade nada de muito especial deve estar acontecendo neste momento, porque a pane é global, ou seja, atinge todos os países, não só o Brasil.

Mesmo sabendo que o problema ainda não foi resolvido pegamos o nosso celular a todo momento apenas para checar se algo mudou, se a nossa mensagem foi enviada, se tudo voltou ao normal. É a ansiedade falando mais alto, ou como diria aqui no Brasil, é o nosso dedo nervoso nos dominando mais uma vez. Precisamos nos policiar e nos vigiar a partir de situações como essa, que dizem muito sobre a nossa relação com a tecnologia. Precisamos nos observar e analisar até que ponto é normal essa dependência. E buscar ajuda profissional, caso precise.

Vejam, não quero alardear ninguém com esse fechamento, apenas convidar a todos para tomar consciência de seus hábitos em momentos de tensão como esse e refletir se é preciso mudar. Você acha que é preciso? Responda nos comentários.